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Desconhecida

Não reconheço
meu olhar...
Que há muito tempo se perdeu,
Nas curvas de uma estrada...
Nas encruzilhadas do meu eu.
Desconheço-me
Diante deste espelho...
Face de alguém oprimido,
Face de alguém em desespero.
Não
me reconheço mais, me esqueço,
Sinto-me só...
Um espantalho da meia noite
Um punhado de pó.
Um ser omisso,
sem voz.
Que não amanheceu com
A luz frouxa do nascer do sol.
Eu anoiteci,
me esqueci...
Guardando-me para as estrelas
Não me reconheço mais...
Sou o fantasma da lua cheia.
Leni Martins
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