Letras Penduradas

Não
me cegue a boca
Não me cale os olhos
Sinto a voz embargada pelas lágrimas
que não choro
Neste meu imenso vazio há um céu
de letras
Que tão poucas eu alcanço
como quem quer apanhar estrelas.
A folha inerte
espera,
Pelo brilho de cada uma delas
Descrever o que sinto,
Neste meu vazio de labirintos.
Percorrem
a minha alma as palavras que não
digo
Perdem-se no oco deste meu vazio infinito.
E penduras as letras me olham
Sabendo o que sinto.
Leni Martins
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